
Vou ser sincero consigo, seja lá quem for que vá ler esta publicação, mas neste momento a vontade de escrever, que se junta ao tempo, que por sua vez a falta de ideias e temas para publicar, encontra-se muito limitada, e o ilimitado pouco caprichado; quando decidimos escrever sentimo-nos por vezes ridículos, com o facto das ideias que poderão surgir acerca de nos; e peço já desculpa aos insensíveis pelo facto de esta publicação não servir os vossos critérios, mas a verdade é que a cena não me sai da mente.
Acabava de dar uma boa nova a minha mãe, que me deixara num estado de elucides que transpôs rapidamente para uma alucinação incandescente, algo descontrolada, no entanto o mundo continuava a girar, e se não gira-se nele, ele girava em torno do sol levando-me consigo mesmo contra minha vontade, mas não foi esse o motivo que me fez mover fisicamente como poderão crer, mas sim o tempo que passava por mim, e eu incapaz de acompanhar o seu ritmo, que acabara de desafiar, certamente pensarão, ele ganharia a corrida, claro que não, simplesmente porque o tempo não é humano, e por sua vez não erra, logo não se atrasa; bastou uma questão de escolha para vos estar a contar este episódio, entre o metro, meu fiel companheiro, e a 758, um perfeito desconhecido que se revelou um bom guia para outras maratonas aflitivas, sempre me considerei um explorador, desde o metro, comboio, eléctrico, carro e nesta noite em especial o autocarro, um explorador pois sinto através do olhar, gosto de descobrir uma vida por traz de uma piscadela de olho, um penteado daqueles embutidos em litros de laca ate ao mais vanguardista possível, a mãe a pilhas que leva a filha arrojada de tanta pressa que parece ter, e muitos outros seres mitológicos que certamente fazem parte do quotidiano de todos nos, a questão que se põe é: de onde vêem, quem são, o que sentem, e para onde vão? Eu não arriscaria pensar muito nessa questão, pois alem de não chegarmos a lugar algum, daríamos certamente em loucos, três paragens depois de eu ter entrado na Rua D. João V, e por sinal entrou muita gente nesta mesma paragem, eu vagueava precisamente em pensamentos aleatórios, aqueles que apenas servem para sentirmos que continuamos vivos, nada que faça valer a pena a vossa atenção, senti um tremer no braço que me deixou em sentido, uma senhora na casa dos 70 levanta-se para dar lugar a uma outra bem mais velha, cuja idade já absorveu todo o seu corpo físico e espera agora por uma sorte pior, ao ver este percalço na minha vida tento de seguida corrigi-lo, sem muito movimento e de forma pouco sonora, sentia-me verdadeiramente envergonhado, a senhora sentou-se muito agradecida, fui incapaz de continuar a viajem sentado, e disse a senhora que cedeu o seu lugar para se sentar no meu, e ela assim o fez, uma outra olhava para mim expressando de uma forma péssima o seu desagrado em relação a minha atitude, a minha viajem interior tinha me custado uma sentença social e arrogância por parte das pessoas da 758, o que posso dizer, não vi quando a senhora entrou, o tempo nunca espera, e desta vez tramou-me, enquanto continuava agora encostado entre os bancos e os empurrões, a senhora não a quem eu cedi o meu lugar, mas sim a quem eu devia ter prontamente cedido olha para mim, sorri, um sorriso lindíssimo, naqueles segundos senti em mim uma vaga de emoções, a beleza do rosto daquela mulher trazia-me calor ao peito, a sua boca mexia em gestos.
OBRIGADA.
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Mas que lindo!
ResponderEliminarChurei e ri por dentro...:)
Pois é ...exclusão social em Lisboa é o que não falta!lool
(e aqui tens uma ideia para um novo post, caso já tenhas pensado!:D)
Eunice és um anjo!!
ResponderEliminarMuito obrigado, és uma jovem de uma beleza interior,para nao falar na exterior, de uma magnitude inabalavel...
...deste foi uma ideia muito boa, e o titulo sera!!
"pessoas que tem medo de amar"
=)